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| Foto: Gabriel Resende Nascimento |
Em uma região onde a produção cultural independente costuma esbarrar em falta de infraestrutura e financiamento, o Teatro Clube da Eskyna vem construindo um caminho próprio. Instalado no Centro Histórico de Santos, o espaço deixou de ser só um palco para virar um ponto de encontro entre criação, debate e mobilização social. A programação mostra isso: cultura ali não é só entretenimento, é formação, convivência e espaço para vozes que historicamente ficaram de fora.
O destaque mais recente foi o 1º Encontro de Arte Feminista, realizado em agosto, que reuniu artistas mulheres cis, trans e pessoas não binárias em torno de diferentes linguagens artísticas. Mais do que uma mostra cultural, o encontro nasceu para puxar uma rede regional de artistas — trocar experiências, fortalecer carreiras e discutir violência de gênero, misoginia e desigualdade estrutural.
A programação misturou performance, videoperformance, pintura ao vivo, música, poesia falada e experimentações corporais, com artistas escolhidas por chamada pública — sinal de que o teatro quer abrir espaço tanto para quem já é reconhecida quanto para quem está começando. O volume de inscrições recebidas já diz muito: existe demanda real por espaços de circulação artística comprometidos com diversidade e com o fortalecimento das mulheres na cena cultural.
E o Eskyna não vive só desse evento. Ao longo do ano, o espaço também promoveu o La Mascarada, baile artístico de pré-Carnaval que juntou intervenções cênicas, música, economia criativa e ocupação do Centro Histórico. A festa deu palco a artistas independentes, pequenos empreendedores e coletivos culturais, virando uma experiência estética ligada a memória, pertencimento e convivência comunitária.
Dá para ver uma linha entre essas iniciativas. Em vez de tratar igualdade de gênero, diversidade e inclusão como pauta de data comemorativa, o Eskyna incorpora isso na programação o ano todo. A escolha dos artistas, os critérios de seleção, o uso dos espaços e o incentivo à produção autoral mostram que democratizar cultura passa também por democratizar oportunidade de criar e circular.
Isso conversa com um movimento maior em Santos. Nos últimos anos a cidade ampliou iniciativas de valorização da diversidade, como a Semana Municipal da Diversidade e o Festival de Cultura LGBTQIA+, que usam arte como ferramenta de conscientização e participação cidadã. Nesse cenário, o Teatro Clube da Eskyna cumpre um papel complementar: oferece programação permanente, construída a partir da realidade dos artistas locais.
Enquanto muitos equipamentos culturais ainda se limitam a apresentar espetáculos, o Eskyna aposta em outro modelo — um espaço que também funciona como laboratório de criação, ambiente de escuta e território de articulação coletiva. Sua relevância não está só nos eventos realizados, mas na capacidade de reunir gente, gerar produção nova e manter a cultura da Baixada Santista como espaço de participação, diversidade e construção social.

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